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Uma mente humilhante¹

July 24, 2007

¹ A shameful mind

As sextas-feiras, principalmente depois do almoço, são os dias mais preguiçosos que existem. Isso não podia deixar de ser diferente para Ulisses, que estava no escritório, acessando uma rede social para matar o tempo, que teimava em se arrastar até a hora de ir embora. Então algo incrível aconteceu. Antes de prosseguir, precisamos definir a palavra incrível.

Segundo o Dicionário Ulissiano das Palavras Exclamativas, o verbete incrível não tem nada de incrível, e serve apenas para definir fatos que, ao contrário das pessoas normais, não acontecem com muita freqüência na vida de Ulisses. Fatos esses tão banais quanto uma garçonete chamar-lhe de “meu lindo” ao solicitar o pedido, receber um convite para uma festa de aniversário ou ainda a menina mais bonita do colégio lhe dirigir a palavra, mesmo que seja para dizer “sai da frente nerd imbecil”.

Voltemos então para a nossa aventura. Ulisses havia recebido um recadinho, também conhecido com scrap, de alguém que ele não via já tinha muito tempo. Muito tempo mesmo.

“Oi Pedreira, lembra de mim? É a Tatá da oitava série. Achei você no profile do Cirilo. Como você está? Espero que não esteja mais quebrando muita pedra como naquele tempo. (risos). Te add viu? bjinhus!”

Pedreira… aquilo ficou martelando na cabeça de Ulisses. Como que alguém ainda poderia lembrar daquele sombrio acontecimento da oitava série?

Eram três: Danilo, Frederico e Ulisses, também conhecidos como Cirilo, da Lua e Ulisses. O Pedreira ainda não existia até esse ponto e Ulisses era apenas Ulisses. Esse era o trio que sempre tirava a melhor nota nas feiras de ciências, mas que ninguém fazia questão de chamar para as festas.

A única pessoa que os chamou para a festa tinha sido Talita, a Tatá, que tinha deixado o recado para Pedreira… ou melhor… Ulisses.

Tatá, ao contrário das outras meninas bonitas e ricas, era super gente boa, e sempre cumprimentava os garotos da casta mais baixa da escala social da escola: os nerds. Ou seja: Danilo, Frederico e Ulisses.

Na época, Tatá tinha 14 anos e estava prestes a fazer 15 e, ao invés de comemorar com um baile de debutantes, preferiu uma coisa mais divertida: convidar todos os seus colegas de classe (inclusive Cirilo, da Lua e Ulisses) e alguns professores para um passeio de um dia inteiro na fazenda de seus pais. Lá todos poderiam se divertir no campo de futebol, andando de cavalo, ou ainda tomando banho no lago.

Era a primeira vez que Ulisses era convidado para uma festa de 15 anos. Finalmente ele teria assunto para falar na segunda-feira ao invés de ficar apenas ouvindo os outros contarem de como a festa havia sido divertida.

No dia da festa, enquanto todos se divertiam, Ulisses reparou que a professora de geografia estava usando biquíni e iria para o lago tomar banho. A professora de geografia era a paixão platônica de Ulisses. Assistir uma aula com ela era suficiente para Ulisses ter sonhos extremamente incríveis e ter que trocar o lençol no dia seguinte… vê-la de biquíni então, nem se fala.

Ulisses resolveu segui-la. E não foi visto por cerca de meia hora.

Cansado de perder para Cirilo no palitinho², da Lua resolveu procurar Ulisses para saber se ele não queria se juntar à brincadeira, afinal com três jogando as chances dele perder cairiam pela metade, pois Ulisses também era um bom candidato a ser derrotado. Apenas Cirilo que seguia invicto. Apesar da pouca idade, Cirilo já era malaco no palitinho.

Da Lua rodou por toda a área, chegou perto do lago e só viu a professora de geografia tomando sol. Já estava desistindo da busca, quando ouviu alguns grunhidos abafados atrás de uma pedra.

Foi ver o que estava acontecendo e acabou presenciando a cena mais embaraçosa de sua vida: Ulisses, o seu melhor amigo, estava lá, atrás daquela pedra, prestando uma homenagem à professora de geografia. Depois do choque veio a reação:

- ULISSES! TU TÁ DOIDO? ISSO LÁ É LUGAR DE BATER PUNHETA? E SE ALGUÉM TE VER?

Os berros de da Lua foram suficientes para chamar a atenção da senhorita Magnólia, a professora de geografia, que veio correndo ver o que se tratava, e chegou ao local antes que Ulisses pudesse vestir as calças. Saiu furiosa em direção a casa onde todos os outros estavam.

- Da Lua? Você promete que não vai contar isso pra ninguém?
- Prometo.

Voltaram também. Chegando lá, Cirilo vem ao encontro dos dois com um sorriso enorme.

- Caras, caras, vocês não têm idéia do que eu ouvi. A professora Magnólia estava comentando alguma coisa de masturbação com a professora de educação física. Alguma coisa de se masturbar freneticamente atrás das pedras. Elas devem ser lésbicas. Que demais. Vocês devia estar aqui para ouvir também. Aliás, onde vocês estavam?

- Em lugar nenhum. - disse Ulisses

- É… em lugar nenhum. - completou da Lua - e mesmo que a gente tivesse em algum lugar eu não ia te contar, pois prometi pra Ulisses que não contaria pra ninguém que vi ele tocando punheta atrás das pedras para homenagear a professora de geografia.

Cirilo caiu na gargalhada.

- HAHAHAHHAHA! ULISSES É PUNHETEIRO! ULISSES É PUNHETEIRO! TAVA QUBRANDO PEDRA PRA PROFESSORA DE GEOGRAFIA! ULISSES É UMA PEDREIRA!

Não conseguiu conter e, sem querer, soltara aquela frase em alto e bom som para que todos no recinto pudessem ouvir. A reação imediata foi um apontar de dedos com gargalhadas seguido de um uníssono:

- PEDREIRA! PEDREIRA! PEDREIRA!

Com isso, Cirilo ganhou moral com os outros por ter colocado um apelido em alguém, e tornou-se popular. Da Lua ficou traumatizado com a situação, raspou a cabeça e disse que ia virar Hare Krishna e assim conseguiu popularidade com as meninas que liam Paulo Coelho. E Ulisses, bem… Ulisses havia virado Pedreira.

Agora ele estava ali, mais uma vez em confronto com seu passado, tendo encontrado com a culpada daquilo tudo. Se Tatá não fosse gente boa, ao contrário das outras meninas, e não o tivesse convidado para sua festa, aquilo nunca teria acontecido. Pensou um pouco e respondeu ao scrap:

“Oi Tatá… quanto tempo hein? Eu estou bem. E você? Beijos… Pedreira.”

Viu que já eram 18:30 e foi embora pra casa.

² Também conhecido como porrinha/purrinha em alguns lugares.

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Closed Caption

June 4, 2007

O cara na sala de espera ao lado é o melhor jogador de baseball de todos os tempos, se tiver interesse no passe dele ligue para 0 operadora 11 9114-3067, 24 horas de puro prazer.

Liga vai, estarei disponível 24 horas a sua disposição. Você pode ligar a qualquer hora, e deixar seu nome para uma oração.

Vamos ver agora os resultados da nossa sessão do descarrego. Quando você chegou aqui como estava a sua vida?

Eu tinha muitos problemas, meus filhos brigavam em casa, tinha problemas de saúde, era muita depressão, era problema de insônia. E eu vim pedir a Deus, pregos enferrujados.

Porque o bacilo tetânico gosta de lugares sem ar, ou seja se lavarmos estaríamos oxigenando o local, estaríamos fazendo uma profilaxia.

Se a pessoa não tem idéia de quando tomou a anti-tetânica pela última vez, deve iniciar novamente o tratamento e tomar as 6 doses para definitivamente entrar em forma.

Gazelle Free Style é fácil de usar. Perca peso agora mesmo. Ligue agora mesmo para 0 operadora 11 3444-0222 e peça ainda hoje o seu Gazelle Free Style.

O maior beneficío que esse aparelho dá é: uma forte decepção depois de esperar na fila da seguridade social.

E uma adolescente é encontrada enforcada em um motel no centro. A polícia interrogou os funcionários que nada sabiam sobre o caso. E a seguir:

(Barras coloridas aparecem)

Publicado no PsychoPenguin Weblog em 10 de março de 2006, e antes disso em outro blog numa data não mais memorável. 

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Um dia de glória

May 21, 2007

Tudo estava perfeito naquela sexta-feira. Já eram 16:30. Seu Onofre, o chefe de Ulisses tinha saído mais cedo, e no escritório não tinha quase ninguém. Apenas Ulisses e Juliana, a menina da recepção

Se alguém quisesse encontrar Ulisses naquele escritório, era fácil. Bastava olhar para a baia do canto mais escuro, onde um sujeito estararia quase deitado na cadeira, com fones de ouvidos, cercado de vários papéis, cds e outras tralhas.

Mas como ninguém nunca queria encontrar Ulisses mesmo, essa orientação de como chegar até sua área de trabalho era completamente inútil. Apenas uma pessoa procurava por Ulisses: seu Onofre. Mesmo assim era apenas pra cobrar os prazos, coisa que ele fazia ligando para o ramal de Ulisses e chamando-o até a sua sala. Ulisses era apenas um ramal.

Então lá estava o ramal… quer dizer Ulisses enrolando, contando os minutos para a hora de ir embora. Então de repente uma mensagem do programa de instant messaging salta em sua tela. Era krente26@hotmail.com. A janelinha piscava incessantemente. Ulisses gelou.

“Êta porra! Agora lascou. Deve tá soltando os cachorros em cima de mim por ter dado um cano nela naquele dia no shopping”.

Resolver ler a mensagem, afinal ele merecia aquilo. Uma coisa daquelas não se faz.

[16:47:07] krente26@hotmail.com diz:

oi ulisses… me desculpa por aquele dia. devo ter te magoado um tantão não indo te encontrar no shopping.

[16:48:22] krente26@hotmail.com diz:

eu fui uma estúpida, voltei pro meu namorado na noite anterior. apenas para descobrir que ele não vale nada.

[16:49:45] krente26@hotmail.com diz:

queria ter uma outra chance contigo.

Ulisses abriu um sorriso estúpido, daquele que vão de orelha a orelha. O sorriso era tão estúpido que todo mundo iria preferir ser carrancudo do que sorrir daquele jeito.

[16:50:21] zeulisses@gmail.com diz:

era o que eu mais queria. e então o que sugere?

[16:51:39] krente26@hotmail.com diz:

vamos pro Sir Albert, um pub bem legal. as 17:30. Que tal?

[16:52:00] zeulisses@gmail.com diz:

fechado então. nos encontramos lá daqui a pouco.

As 17:30 em ponto Ulisses já estava adentrando o Sir Albert. Estava vazio. Apenas uma mulher sentada junto ao balcão na penumbra. Ulisses não podia ver seu rosto, pois ela estava de costas. Mas podia imaginar que era ela.

Ulisses se aproximou, colocou-lhe uma mão no ombro e perguntou:

- krente26@hotmail.com?

- Oi Ulisses. Já estava te esperando. E aí está supreso?

Ulisses fez uma cara de panaca por uns 30 segundos. Bem a cara de panaca já existia, ele apenas a reforçou por uns 30 segundos. Quem estava em sua frente era Juliana. A recepcionista gostosa-que-todo-mundo-quer-comer da empresa em que ele trabalhava.

- Ju… Ju… Juliana? Você é a krente26@hotmail.com?

- Isso mesmo Lissinho… esse foi o único jeito que encontrei de chegar até você. Desde que entrei na empresa fiquei apaixonada por você. Mas você sempre me pareceu inalcançavél, atrás daquele monitor e cercado de coisas naquela baia que mais parecia uma fortaleza. Então apelei pra Internet.

- Puxa Juliana, estou surpreso. Nunca iria imaginar. E então vamos tomar o que?

- Ah… sei lá. Esse lugar está meio chato. Que tal irmos lá em casa? Tem um vinho. Uma amiga minha ficou de ir pra lá agora no começo da noite. Poderíamos fazer uma festinha nós três.

Quase explodindo de felicidade Ulisses nem se dá conta, mas já está sentado no sofá na casa de Juliana, completamente à vontade. A campanhia toca. Deve ser a amiga de Juliana.

Quando a porta é aberta, mais uma surpresa: a tão espera amiga de Juliana era Bia, a mesma que cantara Like a virgin após ele ter perdido seu cabaço.

Bia e Juliana se cumprimentaram com um longo e caloroso beijo na boca. Daqueles que as líguas ficam roçando uma na outra. De repente elas já estavam sem roupas, esfregando seu mamilos duros uma na outra. Então Juliana disse:

- Vem Ulisses, junte-se a nós!

Ulisses levantou do sofá, e de repente tudo sumiu. Onde estavam Juliana e Bia? E o sofá? E o vinho? A única coisa que Ulisses pôde pensar naquele momento foi:

“Droga! Vou ter que botar o lençol pra lavar de novo…”

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Quase-mulher nota 1000

May 11, 2007

Este episódio é dedicado a todas as pessoas que estão com a resistência de seus chuveiros queimadas. Isso faz parte do loser way of life.

Fazia frio. Muito frio. Um frio do caralho… Lá estava Ulisses, em casa, trajando um pijama azul-calcinha velho em frente ao computador enquanto tomava um chá de boldo.

Tava na seca. Nunca mais comera ninguém depois de Bia. E não se contentava mais em ficar só na punheta. Aquele ditado sobre quem come melado era verdade. Ele tinha que sair para conseguir alguém. E que se possível não precisasse pagar.

Precisava tomar um banho antes de sair, já estava meio catimbozeiro, com uma inhacazinha básica.

Mas tinha um porém. Sempre tem que ter um porém. O chuveiro estava com a resistência queimada. E fazia frio. Muito frio. Podia usar a saída dos franceses, mas Ulisses esquecera seu único perfume no hotel em sua última viagem.

Então lá estava Ulisses, com seu pijama azul-calcinha, com seu chuveiro queimado, fedendo e com frio.

“Quer saber… ganho mais ficando em casa. Eu não ia pegar ninguém mesmo… Hummm… acho que vou experimentar esse tal de Second Life que todo mundo tá falando. Quem sabe eu não arrume uma mulher por lá? Foda-se se for mulher virtual. Pelo menos eu treino meus poderes sedutores para consquistar todas no mundo real.”

Então lá foi Ulisses baixar o Second Life. Depois de um download relativamente rápido, ele já estava criando seu avatar.

“Hummm… vejamos… do que as mulheres gostam num cara? Vou botar um físico malhado. Bombadão. Eu não consigo na academia, mas aqui eu posso. Cabelo grande claro. Toda mulher gosta de um cabeludo. Cabelo no peito também… pra finalizar um gigantesca… êpa? Peraí? Cadê minha rola? Esse meu boneco é capado. Mas que porra! Todo mundo deve ser assim.”

Já que não podia ter o corpo dos seus sonho Ulisses resolveu partir pra roupas.

“Acho que vou usar coisas simples. Nada de parecer um pavão. Uma calça jeans e uma camiseta aberta no peito.”

Então lá foi Jesse “Ulisses” Valadão aproveitar sua vida nova. Pesquisou alguns lugares. Achou uma boate. Girls! Girls! Girls! Várias mulheres. Muitas mulheres mesmo. Aliás, só tinha mulher. Ele era o único cara. Se imaginou Elvis. Avistou um avatar de uma ruiva de mini-saia e sobrenome russo. Partiu pra cima:

- Oi, eu sou novo por aqui, você poderia me ajudar?
- Cai fora mané, eu sou lésbica!
- Me desculpe, eu não sabia.
- Não me venha com essa. Você por acaso vê outro cara por aqui?
- É verdade… aparentemente eu sou o único.
- Isso porque você é um daqueles tarados pervertidos que vem aqui pra ver mulheres se agarrando.
- Não… é que… eu apenas…
- Não vê que isso aqui é um clube de lésbicas? Cai fora logo, antes que eu te denuncie.

Ulisses não teve outra escolha a não ser se teletransportar para o primeiro lugar que viu. Era um espaço aberto, onde algumas pessoas conversavam. Olhou em volta para ver se tinham outros caras. Tinha mais uns quatro ou cinco conversando com as mulheres do local. Tranquilizou-se ao saber que não seria expulso dali por ser local exclusivo de mulheres. Dessa vez viu uma morena de vestido verde, recém-chegada ao lugar e sozinha.

- Oi, antes de mais nada, você não é lésbica não né?
- Não, mas caras grossos como você me fazem pensar no assunto com mais frequência. Isso lá é jeito de falar com alguém que não conhece?
- Desculpe. É que quase tomo uma surra de uma lésbica por não saber que eu estava num lugar restrito.
- Não me conte seus problemas. Já vi que esse lugar é uma droga.

E misteriosamente a morena de vestido verde se teletransportou para algum lugar desconhecido de Ulisses.

“Porra… até pegar mulher virtual é difícil. Vou tentar aquela japinha ali. Se não rolar nada eu mudo de lugar.”

- Oi.
- Oi.
- E então, o que rola por aqui?
- Nada demais. As pessoas vêm aqui para dançar e flertar.
- Interessante. Quer dançar?
- Até queria. Mas não com você. Não gosto de caras bombados. Pra mim são todos gays.
- Mas eu não sou…
- Sai pra lá sua bicha bombada.

E mais uma vez, depois de mais uma rejeição, Ulisses resolveu se teletransportar. Optou por algo menos badalado. Tinha desistido de pegar alguém. Foi pra um cassino dar uma volta e olhar as máquinas de caça-níquel. Ficou apenas olhando, já que não tinha dinheiro para jogar. Ficou uns dez minutos olhando. Tinha algumas mulheres interessantes, mas não tinha a menor idéia de como chegar até elas. De repente uma musa lindíssima se aproximou. Cabelos pretos até a cintura, vestido curto colado ao corpo. Chamava-se Mirna. Ulalá!

- Oi, está sozinho?
- Estou sim. E você?
- Também. Não entendo como um cara lindo como você fica sozinho. Adoro caras cabeludos e malhados.
- Sério? Teve uma menina que disse que eu era gay por causa disso.
- Tolinha. Não sabe o que é dar uns agarros numa carne durinha.
- Desse jeito você está me deixando excitado.
- Hmmmm. Não estou sendo atirada demais?
- Não… até gosto de mulheres que tomem a iniciativa. São mulheres especiais.
- Sim, eu sou muito especial. Quero te fazer uma surpresinha… Tá a fim de se teletransportar comigo pra um lugar mais reservado?
- Opa… demorou. Adoro surpresas. Pra onde?
- Um lugar que descobri esses dias.
- O que tenho que fazer?
- Me coloca na sua lista de amigos, então eu me teletransporto pra lá e te convido assim que chegar. Então você aceita meu convite e pronto. Poderemos ficar mais a vontade e eu te farei uma belissima surpresa!
- Tá certo, então.

Tão logo a parte técnica foi executada, Mirna se teletransportou, convidando Ulisses para sua alcova.

“Olha só pra isso. Um quarto com uma cama e almofadas e bolinhas escrito blowjob, ontop, doggy style e outras sacanagens. Que safadinha. Vou me dar bem, e sem precisar pagar.”

- Você tá ouvindo a música ambiente? - perguntou Mirna.
- Não.
- Liga ela. Pra dar um clima. Vou fazer um strip tease pra você.
- Como ligo?
- Aperta o play que tá na parte de baixo da tela.
- Pronto liguei.

Tocava Roxette. Mirna começou a se mexer como se estivesse dançando. Se livrou primeiro do vestido, ficando somente de calcinha e sutiã. Virou-se de costas. Tirou o sutiã e virou para Ulisses devagarzinho.

Ulisses estava empolgado com aqueles peitos. Só presenciara um strip tease uma única vez na vida em um puteirinho fuleiro onde ele fora uma vez no tempo da faculdade com os colegas da pensão onde morava. Por coincidência lá também tocava Roxette.

Mirna virou-se mais uma vez de costa.

- Já te mostro a surpresa… - disse enquanto tirava a calcinha.

Ulisses estava ficando cada vez mais louco com aquele bundão ali, estava em ponto de bala, ansioso pela surpresa de Mirna. Então ela se vira e grita:

- SURPRESA!!!!

Ulisses ficou surpreso com o que viu. No lugar de uma buceta, Mirna apresentava uma jeba enorme. Não conseguia acreditar… Mirna era um travesti. Pior ainda… Mirna tinha um pau, e ele não.

Desolado, desligou o computador e foi dormir com seu pijama azul-calcinha e sem tomar banho porque estava muito frio e a resistência do chuveiro tinha queimado.

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Apenas Um Entre Dez Mil e Sessenta e Sete

May 10, 2007

Ei! Acorde. Vamos lá… está na hora de levantar. ACORDA PORRA!!!

Tudo bem, mais 10 minutos, acho que não tem problema não…

Tempo esgotado, o Império te chama… Mais 10? Caralho, deixa de preguiça… Certo, certo, tá liberado. Mas só esses 10 hein? Não vai abusar.

Vamos nessa, já fui bonzinho demais. Para de olhar pro teto e levanta logo. Isso bom garoto.

Corre pro banheiro e vai mijar. Entra pro banho agora. Não importa se faz frio, você ainda tá com essa cara de sono e precisa estar apresentável. Além de que sua cabeça só funciona depois de um choque.

Excelente.Não esquece de lavar embaixo do saco e o suvaco. Beleza… se enxuga e escova os dentes. Legal essa sua escova elétrica, coisa de preguiçoso mesmo. Vai pra onde assim com pressa? Calma. Se olhe no espelho. Não tem vergonha não? Arrume essa barba. Até parece alguém que passou 6 dias dentro de um poço. Até que você tá indo bem. Agora é a vez da roupa.

Essa calça me parece apertada, você engordou nos últimos dias? Bem, quem se importa… veste logo a camisa. Bonitos sapatos, me parecem confortáveis. Pronto, vai-te embora, e não esquece o casaco. E aqui termina o primeiro ato.

Caminhe, ande, mova esse traseiro gordo. Mas tá liberado pra um café na loja de conveniência do posto de gasolina. Boa escolha, agora continua andando. Atravessa a rua. Atravessa a outra, mas olha pros 2 lados antes. Agora sobe a escada. Parou por que? Por que parou? Olhe nos bolsos, você tem um passe ainda. Passe pela catraca e vai esperar o metrô…

Por que não foi nesse último? E daí que estava cheio demais? Você vai acabar se atrasando. Pegue o próximo.

Chegou sua estação, desce e vai pegar o próximo. Caralho!!! Tá lotada. Tem que esperar, é o jeito. Entra na fila. Chegou tua vez, entra e te manda. Enquanto espera procura não esquecer de dizer que a ama. Desce de novo. Pega mais um metrô. Te juro, esse é o último desse ato. Vai lá, é só mais uma estação. É rápido. Não falei?

Sobe as escadas, atravessa a rua, entra no prédio, chama o elevador… entra e aperta o 8. Fim do segundo ato.

Bota um sorriso na cara, pensa nela pra facilitar. Toma um expresso, cumprimenta as pessoas, vai pra tua baia. Se loga, lê teu email. Pronto. Agora vai ensinar as coisas pra tua colega. Até que é mais ou menos hein?

Toma mais um trabalhinho pra você… desenvolve esse material, é pra essa semana ainda. E daí que vai te sobrecarregar? Você é forte… pensa nela cara, tu tá fazendo isso por ela. Vai agora se concentra. Olha ela no chat! Diz que a ama. Muito bem, agora volta ao trabalho. Recusa o convite pra almoçar, diz que vai mais tarde. Até que você tá indo muito bem.

Hora de comer… já sabe né? Elevador, atravessar rua, restaurante, pegar prato, escolher comida, pesar, comer, pagar, voltar.

Acompanhe como está a menina que você está treinando… volte pro material… trabalhe, trabalhe e trabalhe. Lembra… é por ela.

Para tudo. Sua colega tem dúvidas, e te falaram que isso é prioridade. Vai ajudá-la. Isso, deixa ela craque… será que é possível em 3 dias? Veremos. Já é hora de voltar, não? Tudo bem, só mais um pouco.

Se fudeu! Falei que era pra ir embora. Agora deu pau num cliente. Vai sacana! Resolve agora. As horas passam e você aí. Manda o cara do outro lado se fuder, o problema dele não tem solução imediata. Pega tuas coisas e vai-te embora. Sabe bonitinho né? Elevador, rua, metrô, metrô, metrô, escada, rua, rua. Passa no posto, pega um lanche. Vai pra casa. Toma banho, come o lanche do posto, fala com ela. Diz que a ama, e que tudo vale a pena por sua causa. Parabéns, você conseguiu. Vai dormir e te prepara pro dez mil e sessenta e oito. E segue até o GAME OVER.

Origninalmente publicado no PsychoPenguin Weblog em 19 de Abril de 2006

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Por uma vida menos badalada

May 5, 2007

Final de semana. Lá estava Ulisses enfurnado em um hotel em uma outra cidade. Tinha viajado a trabalho e não conhecia ninguém naquele maldito lugar.

Apenas ouvia músicas no seu laptop, enquanto a TV estava sintonizada num canal de desenhos animados. De repente, se empolga com o som, levanta e começa a dançar a sozinho no quarto:

- Dancing with myself.. oh oh oh oh… dancing with myself…

Se achou o máximo e acreditou que aquele era o seu grande dia, resolveu arriscar e sair sozinho. Desceu até a recepção onde tinha um tabuleiro que exibia vários panfletos informativos para turistas. Locadoras de carro, lavanderias, restaurantes, bares, casas noturnas. Um em especial lhe chamou a atenção: Liverpool Pub, a casa do rock. Música boa, ambiente aconchegante e muita gente bonita.

“Uau! Uma casa de rock, com nome da cidade dos Beatles, e ainda por cima muita gente bonita… esse lugar é demais. É pra lá mesmo que eu vou.”

Pegou um panfleto e seguiu para o ponto de táxi em frente ao hotel.

- Vamos pra esse endereço. - pediu ao taxista.
- O senhor que manda, chefia.

No caminho, percebendo que Ulisses não era da cidade, resolveu puxar um papo:

- Tá aqui a quanto tempo?
- Uma semana.
- Ah! Então já deve ter ido nas boates que tem lá perto do Liverpool…
- Não. Ainda não. Cheguei aqui na segunda. Não conheço nada ainda.
- Pois eu te recomendo a Savage. Fica na rua de trás do Liverpool.
- Hummm… o que rola por lá?
- Rapaz, lá tem tipo um sofazão onde as mulheres ficam sentadas pra você escolher. Aí paga, e vai num quartinho lá mesmo. Com 100 conto dá pra passar o cipó. Mas a melhor de todas, tu não come por menos de trezentinhos. Pega aí no porta-luvas um panfleto da Savage. Tem uma foto da Morgana aí. Olha e me diz se não parece com Juliana Paes…

Ulisses pegou o panfleto e começou a olhar. Mulheres gostosíssimas. Até que viu a tal da Morgana, e apesar de não lembrar muito a fisionomia de Juliana Paes, disse ao taxista:

- É… parece mesmo. Mas vou ficar no Liverpool mesmo, tô a fim de exercer todo meu poder de conquista hoje.
- Então chegamos.
- Quanto foi a corrida?
- R$32,70… mas trinta paga.
- Valeu!
- Boa sorte, Casanova!

“É… taxista sabe viver. É impressionante como em todo lugar que vou os taxistas me recomendam puteiros caros. Será que tenho cara de rico? Na boa, esses caras devem ganhar alguma comissão. Trezentos contos pra comer uma mulher… já tive que economizar no almoço da semana pra poder vir pra cá de táxi. Se ao menos eu soubesse andar de ônibus aqui eu ia lá no Savage e pegava uma menina de R$100… Nossa, que fila enorme pra entrar. Esse Liverpool deve ser muito bom mesmo…”

- Tem o nome na lista? - uma hostess, não muito diferente das outras meninas da fila, perguntou a Ulisses.
- Não. Nem sabia que tinha que pôr o nome. Eu fiquei sabendo daqui por um panfleto no hotel. Tem que ter o nome pra entrar é?
- Não, o nome é só pra ganhar desconto na entrada. Sem o nome é R$25,00.
- Tá muito cheio lá dentro?
- Tá bombando.

Lá dentro a pista ainda estava vazia. Aparentemente a festa ainda não tinha começado.

“Pearl Jam? Blergh… Não é lá meu favorito… mas pelo menos é rock. Vou tomar uma cerveja enquanto a coisa não começa.”

Então Ulisses começou a beber junto ao balcão do bar, enquanto a casa ia começando a encher.

“Hummm… acho que vou chegar junto naquela loirinha ali. Mas antes vou tomar outra cerveja pra criar coragem.”

Começou a tocar hip-hop.

“Ué? Não era uma casa de rock? Que merda é essa? Ah! Deixa pra lá. Eu vim aqui foi pra pegar mulher. A propósito, cadê aquela loirinha? Sumiu… será que demorei demais e alguém pegou primeiro? Que se dane. Agora quero aquela morena de saia curtinha. Mas antes uma caipiroska pra tomar coragem e ignorar a música ruim…”

Passadas aproximadente cinco horas, oito cervejas, quatro caipiroskas, um bloody mary, um drink que-pega-fogo-e-serve-3 que foi compartilhado com mais dois caras que surgiram do nada e que ninguém faz a menor idéia de quem eram, uma cantada rejeitada em um travesti banguela e um grande lapso de memória, Ulisses é interrompido:

- Chegamos. Deu 37 reais.

Ulisses olhou para o lado e viu um cara ao volante, dentro de um carro, misteriosamente estacionado na frente de seu hotel. Então puxou uma nota de 20 e falou:

- Cara, foi mal. Só tenho isso. Pode passar mais tarde pra pegar o resto?
- É o jeito né…

Enquanto via o táxi se afastar, ainda ouviu o motorista resmungando algo a respeito de dinheiro e vômito. Entrou no hotel e se escorou no balcão:

- Zento e onze, bor vavor!

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Dois homens e um grande feito

April 6, 2007

Depois de ter perdido seu muito persistente cabaço, Ulisses infelizmente tem que voltar para sua vidinha medíocre. Isto é: acordar cedo na segunda e ir trabalhar.

Saiu de casa, tomou o metrô e seguiu seu caminho. Não conseguia esquecer Bia. Aquela imagem estava marcada pra sempre. E aquele enigmático Like a Virgin quando ele foi embora? Achava que Bia tinha realmente gostado da performance dele. Gostado tanto, ao ponto dela sentir-se virgem novamente.

Chegou no escritório e foi tomar um cafezinho antes de começar a trabalhar.

Junto a máquina de café expresso estava Homero, colega de Ulisses. Homero era invejado e/ou odiado por boa parte da ala masculina da empresa. Homero se considerava O comedor, O sedutor, O sabe-tudo, O maioral. Nos bastidores tinha o apelido de Sr. Humilde. Ulisses não invejava nem odiava Homero. Apenas o achava um babaca.

- E aí Ulisses, viu ontem o jogão do tricolor?

- Que tricolor? Que jogo é esse?

- Porra Ulisses, tô falando do jogão de ontem, do clássico estadual, o melhor jogo do campeonato, e meu tricolor ganhou.

- Hein?

- Futebol caralho! Tô falando de futebol.

- Ah tá! Não vi o jogo não.

- Viu pelo menos os gols?

- Também não.

- Como não? Todo mundo viu…

- Mas eu não vi. Não acompanho futebol.

- Que merda Ulisses. Como assim não acompanha futebol? Acho que tu é viadinho.

- Viadinho por que Homero? Só por que não gosto de futebol? Tem coisas bem melhores que isso.

- Por exemplo?

- Bem… Errr… Comer uma mulher é um bom exemplo, não?

- Comer mulher? Desde quando tu come mulher? Nunca vi tu contando nada.

- Pois bem, enquanto tu assistia teu jogo, eu comia uma belíssima mulher…

- Essa eu quero ouvir. Mas me conta lá no fumódromo. Tô com vontade de fumar.

Ulisses e Homero dirigem-se ao fumódromo, e lá encontram Juliana, que já estava de saída. A Rádio Corredor anunciava aos quatro ventos que Juliana vivia dando pro chefe. Não era à toa que tivera 2 aumentos de salário no último ano.

- Pronto Ulisses. Conta aí essa parada da mulher que tu comeu. Pode contar que Juliana já saiu.

- Então Homero, nesse fim de semana eu saí pra comprar um livro, e acabei conhecendo uma mulher tão gostosa quanto Juliana. Quando me dei conta já estava em cima dela na cama de um motel.

- Numa livraria? Tu tá inventando isso Ulisses. Não existe mulheres gostosas em livrarias. Só barangas de óculos.

- Isso é um pensamento muito limitado Homero. - disse Ulisses com ar de superioridade. - a mulher que conheci na livraria era muito gostosa.

- E uma mulher gostosa resolveu dar pra você, assim do nada, num encontro numa livraria?

- Foi.

- É difícil de acreditar nisso. O que ela viu em você pra fazer isso? Devia ser maluca.

- Digamos que ela goste de caras cultos. E ainda te digo mais. Ela me achou muito gostoso. Se sentiu como uma virgem comigo.

- Hahahahahah! Que idéia maluca é essa Ulisses?

- É meio maluco, mas na hora que eu tava saindo, ouvi ela cantando baixinho aquela música da Madonna: Like a Virgin.

- Não sei que música é essa não. Sei que Madonna é muito gostosa.

- É uma música onde a letra fala de uma mulher, que uma vez foi comida por um cara. E esse cara era desmarcado. Então ela se sentiu como tivesse sido a primeira vez dela. Ela gostou tanto que se sentiu como uma virgem. Daí o título da música. Foi isso que aconteceu comigo. Ela gostou tanto de mim que se sentiu uma virgem e acabou cantando Like a Virgin.

- De onde tu tirou essa idéia insana?

- De um filme de Tarantino.

- Olha Ulisses, tu é um cara estranho, mas parece ser bom sujeito. Vamos voltar a trabalhar. No fim do expediente eu te pago uma cerveja. A propósito: viu como Juliana estava gostosa com aquela calça branca hoje?

- Han? É… vi sim. Muito gostosa. Vamos ver esse negócio da cerveja depois. Agora temos que justificar nossos salários no fim do mês.

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Diálogo dos Testículos

April 5, 2007

- Porra, tá foda!

- Tá não cara, se tivesse foda a gente não tava nessa aflição toda.

- É verdade… O cara, só trabalha, trabalha e trabalha… já tô ficando azul.

- Na moral, se ele não der um jeito, terei que agir por conta própria.

- Quais são seus planos?

- Mandar ver na hora que ele tiver dormindo.

- Nem dá… o cara não dorme, só trabalha. Além de quê pega mal isso. Não temos mais 13 anos.

- Tá ficando complicado, desse jeito vai acabar solidificando.

- Segura a onda um pouco aí brother! Isso tem que ser resolvido em grande estilo. Saca Fórmula 1? Onde o cara que vence a corrida estoura o champanhe? Pois é… tem que ser nesse esquema.

- Tá? Mas como a gente vai fazer isso em grande estilo? O garotão aí não colabora, tá concentrado demais com a cabeça de cima. Se ao menos rolasse uma intervençãozinha manual eu já estaria feliz.

- É isso cara! Tive uma idéia.

- Induzir a intervenção manual?

- Não, não. A solução está na cabeça de cima. Vamos aumentar a produção até subir pra cabeça e o camarada aí não guentar mais.

- Tá doido porra? Essa foi a idéia mais estúpida que já vi. Vai que o cara acaba pirando e tenta resolver nosso problema na hora e no lugar e da maneira errada?

- Pô! É mesmo, não tinha pensado nisso. E então?

- Então? Bem, o jeito é esperar…

- É… tá foda…

- Cala a boca!

Originalmente publicado no PsychoPenguin Weblog em 27 de abril de 2006.

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O Amor Custa R$50,00 (taxa de serviço não inclusa)

March 30, 2007

Depois do fracasso em seu encontro amoroso, Ulisses fica mais uns 15 minutos deitado na cama e resolve sair até o centro da cidade atrás de um livro de Erich von Däniken.

Tomou um banho rápido e vestiu uma roupa comum. Eram 17:30 quando saiu de casa. Teria muita sorte se chegasse a tempo de achar alguma loja aberta.

Pegou o transporte público, e no caminho não conseguia tirar da cabeça a mancada com krente26@hotmail.com. Perdera mais uma oportunidade de arrumar uma namorada, e quem sabe assim perder seu cabaço ainda intacto depois de 27 anos. Isso o atormentava muito pois no trabalho só tinha histórias de bebedeiras para contar, enquanto seus colegas contavam que comiam todas, que botavam pra chupar, que gozavam na cara, alguns diziam até que comiam cus… e ele sempre com a desculpa de que não contava porque quem fica quieto come duas vezes.

Na estação seguinte uma mulher aparentando 26 anos, gostosa, com uma calça colada sentou-se ao seu lado. Parecia muito triste, como se tivesse levado um cano ou um pé na bunda. E se fosse a krente26@hotmail.com? Não tinha idéia de como ela era. Nunca trocaram fotos nem nada. Finalmente chegou no centro e lembrou-se que deve procurar seu livro.

- Oi moço, quer fuder? - perguntou-lhe uma loira de aproximadamente 22 anos, calça branca, top verde e piercieng no umbigo.
- Ah não… obrigado, na verdade estou procurando por um livro. “Eram os deuses astronautas?” de Erich von Däniken, sabe onde posso encontrá-lo?
- Xiii… não sei não. Não entendo muito de livros. Eu só sei fuder. Se quiser eu cobro R$50,00, mais R$20,00 do quartinho.
- Bem, vou procurar meu livro então. Se não achar eu te procuro. Tudo bem?
- Tudo bem então. Estarei por aqui. Pode me chamar de Bia. E boa sorte com seu livro… errr… como é seu nome?
- Ulisses. E obrigado pelo boa sorte. Até logo Bia.
- Tchau Ulisses.

Rodou por vários sebos. A maioria já estava fechada. Achou um aberto.

Enquanto escarafunchava as estantes atrás de Däniken, ficou pensando naquela oportunidade que Bia tinha lhe oferecido.

E por que não? Eu tenho 27 anos e ainda sou virgem. Essa é uma maneira de perder a virgindade. É bom até que eu treino um pouco para ao menos saber como é e quem sabe não decepcionar krente26@hotmail.com, se é que um dia ainda transarei com ela…

Achou o livro. Custava R$20,00. O valor do aluguel do quartinho. Ulisses só tinha exatos R$75,00 no bolso, sendo que ele ainda teria que pagar a passagem de volta pra casa. Desistiu de Däniken. Quem poderia pensar nisso quando se tinha uma oportunidade de se perder a virgindade?

Procurou por Bia.

- Oi Ulisses, achou seu livro?
- Achei sim Bia, mas desisti de comprar… e então, será que nós podemos…
- Fuder? Ah sim, claro. Tem os R$70,00 aí?
- Tenho sim.
- E camisinha, você tem?
- Não… ah que droga… - Ulisses fez uma cara triste.
- Não se preocupe, no quartinho tem. Custa R$2,00 a unidade.
- Então vamos.

Entraram numa portinha nas redondezas, e atrás dessa portinha tinha uma escada e acima dessa escada tinham várias outras portinhas e um balcão onde uma velha com xale e bobs gerenciava a espelunca.

- Um quartinho e uma camisinha. - Pediu Bia a senhora.
- Aqui está. São R$22,00.
- Paga ela aí Ulisses.

Ulisses pagou R$25,00 e pegou os R$3,00 de troco e foi para o quartinho com Bia.

- E então Ulisses, como vai querer?
- Ah Bia, não sei. Fica a seu critério.
- Então tá. Tira a roupa e me dá os R$50,00. O pagamento é adiantado.

Ulisses fez o que Bia pediu, e então Bia também tirou a roupa. Ulisses já estava pronto. Bia colocou-lhe a camisinha, depois deitou na cama, abriu as pernas e disse:
- Vem Ulisses… vem gostoso pra cima de mim.

Ulisses foi igual a um desesperado, como se nunca tivesse visto uma buceta no mundo, o que de fato era verdade.

Exatos 6 minutos e 12 segundos depois ouve-se Ulisses dizer:

- Bia… eu concluí!

Bia tentou se segurar para não rir daquele momento patético e disse:

- Uau Ulisses, como você é bom. Gozei 2 vezes. Você gostou?

“A primeira vez foi quando você me pagou, a outra quando saiu de cima, imbecil!” - Pensou Bia.

- Claro que sim. Obrigado. Posso te procurar outras vezes?
- Sempre que quiser.

Ulisses vestiu sua roupa, saiu do quartinho e enquanto descia as escadas para ir pegar sua condução de volta pra casa, ouviu Bia cantando para a velha senhora:

- Like a virgin… touched by the very first time…

Continuou seguindo seu caminho, se sentindo o máximo.

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1 Carneirinho, 2 Carneirinhos, 3 Carneirinhos… lá vem a Ovelha Negra

March 26, 2007

Eu devia estar dormindo… mas não… estou aqui acordado… insone.

A Insônia me acompanha. De vez em quando ela me dá uma folga e me deixa dormir… nas horas em que devia estar acordado.

Desde menino, essa maldita está comigo. Só que naquele tempo ela se disfarçava de monstro, e morava embaixo de minha cama.

Eu tinha medo que o monstro saisse e pegasse no meu pé. Depois descobri que o monstro era a Insônia.

Agora ela não pode mais se disfaçar de monstro e morar embaixo de minha cama. Até porque minha cama é daquela tipo box, então não caberia um monstro embaixo.

Minha cabeça dói. Que ótimo! Alem da companhia de dona Insônia, me bate uma dor de cabeça.

Vou tomar dipirona… pelo menos a dor de cabeça passa.

Certa vez minha mãe me disse que contar carneirinhos ajudava a dormir. Talvez a Insônia não goste de carneiros.

Então lá estava eu, contando meus carneiros, que felizes pulavam a cerca e gritavam béeee.

Meu rebanho já era considerável. Devia ter mais dois mil carneiros. Dois mil e quarenta e sete pra ser mais exato. Então veio uma ovelha negra e esculhambou tudo. Bem que mainha tinha me avisado pra tomar cuidado com a ovelha negra. Ela vem só de sacanagem pra te fazer contar todos os carneiros de novo.

Acho que a Insônia se disfarça de ovelha negra só pra dispersar o resto do rebanho e fazer você contar todos os carneiros de novo. Insônia idiota!

Tem outras coisas que também fazem uma pessoa pegar no sono, como por exemplo, leite quente e cerveja gelada.

Tenho as duas opções disponíveis, mas o leite vou ter que esquentar… fico com a cerveja que já está gelada.

Mas já tomei dipirona pra dor de cabeça…. Ah! Que se foda… Vou tomar a cerveja. O máximo que pode acontecer é eu ficar doidão e ver carneiros psicodélicos.

Bem, a cerveja não me ajudou a dormir, nem me deixou doidão junto com a dipirona… pelo menos ainda não…

Agora tenho a impressão que fiz mal juízo da ovelha negra, talvez seja a cerveja, mas acho que ela não era a Insônia. Na verdade a Insônia era todos os outros carneiros. Que apareciam para me manter acordado, enquanto os contava feito besta.

A ovelha negra era a salvação. Agora entendi o que recado. Ela atrapalhava de propósito para que eu me tocasse e dissesse algo do tipo: “Aos diabos com esses carneiros, vou dormir que ganho mais!”, e assim pudesse dormir tranquilo.

Espero que a ovelha negra aceite minhas desculpas.

Deixa eu tentar expulsar a Insônia, acho que vou apelar pra uma pílula branca do frasco preto. É minha última salvação por hoje.

Odeio carneiros!

Originalmente publicado no PsychoPenguin Weblog em 20 de setembro de 2006.

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