Quase-mulher nota 1000
Este episódio é dedicado a todas as pessoas que estão com a resistência de seus chuveiros queimadas. Isso faz parte do loser way of life.
Fazia frio. Muito frio. Um frio do caralho… Lá estava Ulisses, em casa, trajando um pijama azul-calcinha velho em frente ao computador enquanto tomava um chá de boldo.
Tava na seca. Nunca mais comera ninguém depois de Bia. E não se contentava mais em ficar só na punheta. Aquele ditado sobre quem come melado era verdade. Ele tinha que sair para conseguir alguém. E que se possível não precisasse pagar.
Precisava tomar um banho antes de sair, já estava meio catimbozeiro, com uma inhacazinha básica.
Mas tinha um porém. Sempre tem que ter um porém. O chuveiro estava com a resistência queimada. E fazia frio. Muito frio. Podia usar a saída dos franceses, mas Ulisses esquecera seu único perfume no hotel em sua última viagem.
Então lá estava Ulisses, com seu pijama azul-calcinha, com seu chuveiro queimado, fedendo e com frio.
“Quer saber… ganho mais ficando em casa. Eu não ia pegar ninguém mesmo… Hummm… acho que vou experimentar esse tal de Second Life que todo mundo tá falando. Quem sabe eu não arrume uma mulher por lá? Foda-se se for mulher virtual. Pelo menos eu treino meus poderes sedutores para consquistar todas no mundo real.”
Então lá foi Ulisses baixar o Second Life. Depois de um download relativamente rápido, ele já estava criando seu avatar.
“Hummm… vejamos… do que as mulheres gostam num cara? Vou botar um físico malhado. Bombadão. Eu não consigo na academia, mas aqui eu posso. Cabelo grande claro. Toda mulher gosta de um cabeludo. Cabelo no peito também… pra finalizar um gigantesca… êpa? Peraí? Cadê minha rola? Esse meu boneco é capado. Mas que porra! Todo mundo deve ser assim.”
Já que não podia ter o corpo dos seus sonho Ulisses resolveu partir pra roupas.
“Acho que vou usar coisas simples. Nada de parecer um pavão. Uma calça jeans e uma camiseta aberta no peito.”
Então lá foi Jesse “Ulisses” Valadão aproveitar sua vida nova. Pesquisou alguns lugares. Achou uma boate. Girls! Girls! Girls! Várias mulheres. Muitas mulheres mesmo. Aliás, só tinha mulher. Ele era o único cara. Se imaginou Elvis. Avistou um avatar de uma ruiva de mini-saia e sobrenome russo. Partiu pra cima:
- Oi, eu sou novo por aqui, você poderia me ajudar?
- Cai fora mané, eu sou lésbica!
- Me desculpe, eu não sabia.
- Não me venha com essa. Você por acaso vê outro cara por aqui?
- É verdade… aparentemente eu sou o único.
- Isso porque você é um daqueles tarados pervertidos que vem aqui pra ver mulheres se agarrando.
- Não… é que… eu apenas…
- Não vê que isso aqui é um clube de lésbicas? Cai fora logo, antes que eu te denuncie.
Ulisses não teve outra escolha a não ser se teletransportar para o primeiro lugar que viu. Era um espaço aberto, onde algumas pessoas conversavam. Olhou em volta para ver se tinham outros caras. Tinha mais uns quatro ou cinco conversando com as mulheres do local. Tranquilizou-se ao saber que não seria expulso dali por ser local exclusivo de mulheres. Dessa vez viu uma morena de vestido verde, recém-chegada ao lugar e sozinha.
- Oi, antes de mais nada, você não é lésbica não né?
- Não, mas caras grossos como você me fazem pensar no assunto com mais frequência. Isso lá é jeito de falar com alguém que não conhece?
- Desculpe. É que quase tomo uma surra de uma lésbica por não saber que eu estava num lugar restrito.
- Não me conte seus problemas. Já vi que esse lugar é uma droga.
E misteriosamente a morena de vestido verde se teletransportou para algum lugar desconhecido de Ulisses.
“Porra… até pegar mulher virtual é difícil. Vou tentar aquela japinha ali. Se não rolar nada eu mudo de lugar.”
- Oi.
- Oi.
- E então, o que rola por aqui?
- Nada demais. As pessoas vêm aqui para dançar e flertar.
- Interessante. Quer dançar?
- Até queria. Mas não com você. Não gosto de caras bombados. Pra mim são todos gays.
- Mas eu não sou…
- Sai pra lá sua bicha bombada.
E mais uma vez, depois de mais uma rejeição, Ulisses resolveu se teletransportar. Optou por algo menos badalado. Tinha desistido de pegar alguém. Foi pra um cassino dar uma volta e olhar as máquinas de caça-níquel. Ficou apenas olhando, já que não tinha dinheiro para jogar. Ficou uns dez minutos olhando. Tinha algumas mulheres interessantes, mas não tinha a menor idéia de como chegar até elas. De repente uma musa lindíssima se aproximou. Cabelos pretos até a cintura, vestido curto colado ao corpo. Chamava-se Mirna. Ulalá!
- Oi, está sozinho?
- Estou sim. E você?
- Também. Não entendo como um cara lindo como você fica sozinho. Adoro caras cabeludos e malhados.
- Sério? Teve uma menina que disse que eu era gay por causa disso.
- Tolinha. Não sabe o que é dar uns agarros numa carne durinha.
- Desse jeito você está me deixando excitado.
- Hmmmm. Não estou sendo atirada demais?
- Não… até gosto de mulheres que tomem a iniciativa. São mulheres especiais.
- Sim, eu sou muito especial. Quero te fazer uma surpresinha… Tá a fim de se teletransportar comigo pra um lugar mais reservado?
- Opa… demorou. Adoro surpresas. Pra onde?
- Um lugar que descobri esses dias.
- O que tenho que fazer?
- Me coloca na sua lista de amigos, então eu me teletransporto pra lá e te convido assim que chegar. Então você aceita meu convite e pronto. Poderemos ficar mais a vontade e eu te farei uma belissima surpresa!
- Tá certo, então.
Tão logo a parte técnica foi executada, Mirna se teletransportou, convidando Ulisses para sua alcova.
“Olha só pra isso. Um quarto com uma cama e almofadas e bolinhas escrito blowjob, ontop, doggy style e outras sacanagens. Que safadinha. Vou me dar bem, e sem precisar pagar.”
- Você tá ouvindo a música ambiente? - perguntou Mirna.
- Não.
- Liga ela. Pra dar um clima. Vou fazer um strip tease pra você.
- Como ligo?
- Aperta o play que tá na parte de baixo da tela.
- Pronto liguei.
Tocava Roxette. Mirna começou a se mexer como se estivesse dançando. Se livrou primeiro do vestido, ficando somente de calcinha e sutiã. Virou-se de costas. Tirou o sutiã e virou para Ulisses devagarzinho.
Ulisses estava empolgado com aqueles peitos. Só presenciara um strip tease uma única vez na vida em um puteirinho fuleiro onde ele fora uma vez no tempo da faculdade com os colegas da pensão onde morava. Por coincidência lá também tocava Roxette.
Mirna virou-se mais uma vez de costa.
- Já te mostro a surpresa… - disse enquanto tirava a calcinha.
Ulisses estava ficando cada vez mais louco com aquele bundão ali, estava em ponto de bala, ansioso pela surpresa de Mirna. Então ela se vira e grita:
- SURPRESA!!!!
Ulisses ficou surpreso com o que viu. No lugar de uma buceta, Mirna apresentava uma jeba enorme. Não conseguia acreditar… Mirna era um travesti. Pior ainda… Mirna tinha um pau, e ele não.
Desolado, desligou o computador e foi dormir com seu pijama azul-calcinha e sem tomar banho porque estava muito frio e a resistência do chuveiro tinha queimado.

May 11th, 2007 at 11:30 pm
[…] Não perca o mais novo episódio. Quase mulher nota 1000, no Vi da Privada, graças ao Selva. Tags:balada» festa» loser» mulher» paquera» second life» travesti» ulisses» virtual» Posts Relacionados: […]
May 12th, 2007 at 12:20 am
Ô coitado do Ulisses!Loser até no mundo virtual hauhuahauhaua
Mas resistências queimadas em temperaturas de onze graus, ninguém merece.:(
May 12th, 2007 at 2:53 pm
“Pior ainda, Mirna tinha um pau, e ele não” Caaaara!!! Tou rolando de rir aqui… U-LI-SSES! U LI-SSES! Epa… U-LIS-SES! U-LIS-SES!
May 12th, 2007 at 6:10 pm
Cara,
Sou seu fahn (jeito alemao de escrever “fã” e sem acento).
Hilario, mas triste, nao eh possivel que o cara seja loser ate no Second Life…
May 15th, 2007 at 8:47 pm
Ulisses é o cara… Pior que já ando vendo Ulisses em todos os lugares que passo. Acho que a cidade tem vários exemplares de todos os tamanhos e formas. É só pegar o seu!
Beijos
Jana.