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Um dia de glória
Tudo estava perfeito naquela sexta-feira. Já eram 16:30. Seu Onofre, o chefe de Ulisses tinha saído mais cedo, e no escritório não tinha quase ninguém. Apenas Ulisses e Juliana, a menina da recepção
Se alguém quisesse encontrar Ulisses naquele escritório, era fácil. Bastava olhar para a baia do canto mais escuro, onde um sujeito estararia quase deitado na cadeira, com fones de ouvidos, cercado de vários papéis, cds e outras tralhas.
Mas como ninguém nunca queria encontrar Ulisses mesmo, essa orientação de como chegar até sua área de trabalho era completamente inútil. Apenas uma pessoa procurava por Ulisses: seu Onofre. Mesmo assim era apenas pra cobrar os prazos, coisa que ele fazia ligando para o ramal de Ulisses e chamando-o até a sua sala. Ulisses era apenas um ramal.
Então lá estava o ramal… quer dizer Ulisses enrolando, contando os minutos para a hora de ir embora. Então de repente uma mensagem do programa de instant messaging salta em sua tela. Era krente26@hotmail.com. A janelinha piscava incessantemente. Ulisses gelou.
“Êta porra! Agora lascou. Deve tá soltando os cachorros em cima de mim por ter dado um cano nela naquele dia no shopping”.
Resolver ler a mensagem, afinal ele merecia aquilo. Uma coisa daquelas não se faz.
[16:47:07] krente26@hotmail.com diz:
oi ulisses… me desculpa por aquele dia. devo ter te magoado um tantão não indo te encontrar no shopping.
[16:48:22] krente26@hotmail.com diz:
eu fui uma estúpida, voltei pro meu namorado na noite anterior. apenas para descobrir que ele não vale nada.
[16:49:45] krente26@hotmail.com diz:
queria ter uma outra chance contigo.
Ulisses abriu um sorriso estúpido, daquele que vão de orelha a orelha. O sorriso era tão estúpido que todo mundo iria preferir ser carrancudo do que sorrir daquele jeito.
[16:50:21] zeulisses@gmail.com diz:
era o que eu mais queria. e então o que sugere?
[16:51:39] krente26@hotmail.com diz:
vamos pro Sir Albert, um pub bem legal. as 17:30. Que tal?
[16:52:00] zeulisses@gmail.com diz:
fechado então. nos encontramos lá daqui a pouco.
As 17:30 em ponto Ulisses já estava adentrando o Sir Albert. Estava vazio. Apenas uma mulher sentada junto ao balcão na penumbra. Ulisses não podia ver seu rosto, pois ela estava de costas. Mas podia imaginar que era ela.
Ulisses se aproximou, colocou-lhe uma mão no ombro e perguntou:
- krente26@hotmail.com?
- Oi Ulisses. Já estava te esperando. E aí está supreso?
Ulisses fez uma cara de panaca por uns 30 segundos. Bem a cara de panaca já existia, ele apenas a reforçou por uns 30 segundos. Quem estava em sua frente era Juliana. A recepcionista gostosa-que-todo-mundo-quer-comer da empresa em que ele trabalhava.
- Ju… Ju… Juliana? Você é a krente26@hotmail.com?
- Isso mesmo Lissinho… esse foi o único jeito que encontrei de chegar até você. Desde que entrei na empresa fiquei apaixonada por você. Mas você sempre me pareceu inalcançavél, atrás daquele monitor e cercado de coisas naquela baia que mais parecia uma fortaleza. Então apelei pra Internet.
- Puxa Juliana, estou surpreso. Nunca iria imaginar. E então vamos tomar o que?
- Ah… sei lá. Esse lugar está meio chato. Que tal irmos lá em casa? Tem um vinho. Uma amiga minha ficou de ir pra lá agora no começo da noite. Poderíamos fazer uma festinha nós três.
Quase explodindo de felicidade Ulisses nem se dá conta, mas já está sentado no sofá na casa de Juliana, completamente à vontade. A campanhia toca. Deve ser a amiga de Juliana.
Quando a porta é aberta, mais uma surpresa: a tão espera amiga de Juliana era Bia, a mesma que cantara Like a virgin após ele ter perdido seu cabaço.
Bia e Juliana se cumprimentaram com um longo e caloroso beijo na boca. Daqueles que as líguas ficam roçando uma na outra. De repente elas já estavam sem roupas, esfregando seu mamilos duros uma na outra. Então Juliana disse:
- Vem Ulisses, junte-se a nós!
Ulisses levantou do sofá, e de repente tudo sumiu. Onde estavam Juliana e Bia? E o sofá? E o vinho? A única coisa que Ulisses pôde pensar naquele momento foi:
“Droga! Vou ter que botar o lençol pra lavar de novo…”
