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Dois homens e um grande feito

April 6, 2007

Depois de ter perdido seu muito persistente cabaço, Ulisses infelizmente tem que voltar para sua vidinha medíocre. Isto é: acordar cedo na segunda e ir trabalhar.

Saiu de casa, tomou o metrô e seguiu seu caminho. Não conseguia esquecer Bia. Aquela imagem estava marcada pra sempre. E aquele enigmático Like a Virgin quando ele foi embora? Achava que Bia tinha realmente gostado da performance dele. Gostado tanto, ao ponto dela sentir-se virgem novamente.

Chegou no escritório e foi tomar um cafezinho antes de começar a trabalhar.

Junto a máquina de café expresso estava Homero, colega de Ulisses. Homero era invejado e/ou odiado por boa parte da ala masculina da empresa. Homero se considerava O comedor, O sedutor, O sabe-tudo, O maioral. Nos bastidores tinha o apelido de Sr. Humilde. Ulisses não invejava nem odiava Homero. Apenas o achava um babaca.

- E aí Ulisses, viu ontem o jogão do tricolor?

- Que tricolor? Que jogo é esse?

- Porra Ulisses, tô falando do jogão de ontem, do clássico estadual, o melhor jogo do campeonato, e meu tricolor ganhou.

- Hein?

- Futebol caralho! Tô falando de futebol.

- Ah tá! Não vi o jogo não.

- Viu pelo menos os gols?

- Também não.

- Como não? Todo mundo viu…

- Mas eu não vi. Não acompanho futebol.

- Que merda Ulisses. Como assim não acompanha futebol? Acho que tu é viadinho.

- Viadinho por que Homero? Só por que não gosto de futebol? Tem coisas bem melhores que isso.

- Por exemplo?

- Bem… Errr… Comer uma mulher é um bom exemplo, não?

- Comer mulher? Desde quando tu come mulher? Nunca vi tu contando nada.

- Pois bem, enquanto tu assistia teu jogo, eu comia uma belíssima mulher…

- Essa eu quero ouvir. Mas me conta lá no fumódromo. Tô com vontade de fumar.

Ulisses e Homero dirigem-se ao fumódromo, e lá encontram Juliana, que já estava de saída. A Rádio Corredor anunciava aos quatro ventos que Juliana vivia dando pro chefe. Não era à toa que tivera 2 aumentos de salário no último ano.

- Pronto Ulisses. Conta aí essa parada da mulher que tu comeu. Pode contar que Juliana já saiu.

- Então Homero, nesse fim de semana eu saí pra comprar um livro, e acabei conhecendo uma mulher tão gostosa quanto Juliana. Quando me dei conta já estava em cima dela na cama de um motel.

- Numa livraria? Tu tá inventando isso Ulisses. Não existe mulheres gostosas em livrarias. Só barangas de óculos.

- Isso é um pensamento muito limitado Homero. - disse Ulisses com ar de superioridade. - a mulher que conheci na livraria era muito gostosa.

- E uma mulher gostosa resolveu dar pra você, assim do nada, num encontro numa livraria?

- Foi.

- É difícil de acreditar nisso. O que ela viu em você pra fazer isso? Devia ser maluca.

- Digamos que ela goste de caras cultos. E ainda te digo mais. Ela me achou muito gostoso. Se sentiu como uma virgem comigo.

- Hahahahahah! Que idéia maluca é essa Ulisses?

- É meio maluco, mas na hora que eu tava saindo, ouvi ela cantando baixinho aquela música da Madonna: Like a Virgin.

- Não sei que música é essa não. Sei que Madonna é muito gostosa.

- É uma música onde a letra fala de uma mulher, que uma vez foi comida por um cara. E esse cara era desmarcado. Então ela se sentiu como tivesse sido a primeira vez dela. Ela gostou tanto que se sentiu como uma virgem. Daí o título da música. Foi isso que aconteceu comigo. Ela gostou tanto de mim que se sentiu uma virgem e acabou cantando Like a Virgin.

- De onde tu tirou essa idéia insana?

- De um filme de Tarantino.

- Olha Ulisses, tu é um cara estranho, mas parece ser bom sujeito. Vamos voltar a trabalhar. No fim do expediente eu te pago uma cerveja. A propósito: viu como Juliana estava gostosa com aquela calça branca hoje?

- Han? É… vi sim. Muito gostosa. Vamos ver esse negócio da cerveja depois. Agora temos que justificar nossos salários no fim do mês.

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Diálogo dos Testículos

April 5, 2007

- Porra, tá foda!

- Tá não cara, se tivesse foda a gente não tava nessa aflição toda.

- É verdade… O cara, só trabalha, trabalha e trabalha… já tô ficando azul.

- Na moral, se ele não der um jeito, terei que agir por conta própria.

- Quais são seus planos?

- Mandar ver na hora que ele tiver dormindo.

- Nem dá… o cara não dorme, só trabalha. Além de quê pega mal isso. Não temos mais 13 anos.

- Tá ficando complicado, desse jeito vai acabar solidificando.

- Segura a onda um pouco aí brother! Isso tem que ser resolvido em grande estilo. Saca Fórmula 1? Onde o cara que vence a corrida estoura o champanhe? Pois é… tem que ser nesse esquema.

- Tá? Mas como a gente vai fazer isso em grande estilo? O garotão aí não colabora, tá concentrado demais com a cabeça de cima. Se ao menos rolasse uma intervençãozinha manual eu já estaria feliz.

- É isso cara! Tive uma idéia.

- Induzir a intervenção manual?

- Não, não. A solução está na cabeça de cima. Vamos aumentar a produção até subir pra cabeça e o camarada aí não guentar mais.

- Tá doido porra? Essa foi a idéia mais estúpida que já vi. Vai que o cara acaba pirando e tenta resolver nosso problema na hora e no lugar e da maneira errada?

- Pô! É mesmo, não tinha pensado nisso. E então?

- Então? Bem, o jeito é esperar…

- É… tá foda…

- Cala a boca!

Originalmente publicado no PsychoPenguin Weblog em 27 de abril de 2006.