Os Melhores Anos de Minha Vida
Take My Breath Away do Berlin era a música do momento. Impulsionada pelo filme Top Gun. Teve Copa do Mundo no México, e o Brasil tinha sido eliminado nas quartas-de-final pela França. Essa foi minha primeira decepção com algo que eu gostava. Não acreditava no que diziam meu avô, meu pai e a televisão, de que o Brasil era o melhor do mundo e já tinha ganho três vezes. Pra mim tinha virado decepção, mas nada comparado com o que se seguiu.
Eu era um jovem próximo dos 8 anos de idade, e cursava a primeira série do primário. Eu já tinha até uma namorada, inclusive meu pai tirou uma foto junto com ela no meu aniversário. Nada de beijinhos ou abraços, apenas dois corpos infantis um do lado do outro oulhando para uma camêra. Bem, a foto saiu assim talvez porque ela ainda não soubesse que era minha namorada.
Apenas eu sabia. Eu e meu pai. Chamava-se Daniela, ou Alice, ou ainda Fernanda. Isso não importa. O caso é que ela foi a primeira, mesmo sem saber e guardei isso durante toda minha primeira série. Quando soube, terminamos.
Vadia.
E ainda te dediquei Quatro Semanas de Amor de Luan e Vanessa na rádio. Acho que era Daniela. Ainda bem que mudei de escola na terceira série.
Colegas novos, ambiente propício pra esquecer a putinha que tinha arrebentado pela primeira vez meu coração. Acho que não devia ter doído tanto, afinal amores de crianças não passava de brincadeira e imaginação.
Nessa época conheci Alice… ou teria sido Fernanda? Não, era Alice mesmo. Era a número 1 da caderneta de chamada. Não sei porque, mas ela acabou ocupando a vaga que foi da outra até a segunda série.
Mas ela não era minha namorada. Queria que fosse. Mas não era. Pra ser ela teria que saber disso. Esse segredo era só meu. E de mais de ninguém. Nem de meu pai.
Isso ficou guardado até a quarta série. Até que rolou uma festa de aniversário. A sala inteira tinha sido convidada. Inclusive eu. Os losers também foram.
Roquinhos do final dos 80 e começo dos 90 era o que embalava a festinha, bem como algumas “mixagens”. Então alguém apagou a luz e resolveu voltar alguns anos no tempo e trazer de volta Take My Breath Away… Essa era a hora. O Momento não podia ser mais perfeito.
Tomei coragem, terminei de beber o refrigerante, coisa que fiz com toda a classe, como se ao invés de refrigerante tivesse bebendo whisky, apesar de não ter a mínima idéia de como e por que se bebia whisky. Levantei da cadeira, e fui até ela. Chamei pra dançar e ouvi um “eu não sei”… e daí? Eu também não sabia. Voltei pra minha cadeira. Ao me virar lá estava a vagabunda colando seu corpo ao de outro.
Então um golpe de misericódia… Um beijo aconteceu… e não era eu. Não sei dançar né? Puta… O clichê do castelo de cartas que desaba tomou formas na minha frente.
Me juntei ao losers. Estavam jogando palitinho. Quem perdesse tinha que virar o copo inteiro de refrigerante. E eu perdi todas as partidas seguintes. Havia me tornado um deles.
Texto originalmente publicado no B-Side em 9 de julho de 2006.

March 19th, 2007 at 10:20 pm
ei fabão. e meu primeiro beijo de festinha escolar foi ao som de the housemartins, aquela do b-b-b-b-build, também conhecida como a “melô do papel”.
e ó: tô sacando que essa coletãnea do rubão tá aberta mais ou menos na altura de “o caso de f.a.”
March 21st, 2007 at 12:31 pm
Esse gtexto teu é inesquecível!
Ai, ai. Take my breath awayyyyyyyy, tan nan, tan nan. E Tom Cruise jogando seu olhar sexy para a pista de pouso. 
Nunca tive namoradinhos na infância. Caim, caim.
Beijos
Jana